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A
Intermediação de Maria Mãe de Deus, e nossa, para nos levar ao
Cordeiro de Deus |
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CATEQUESE SOBRE A
ORAÇÃO - nº. 1
CAROS AMIGOS:
"QUE A GRAÇA E A PAZ DE CRISTO JESUS NOSSO SENHOR, E A TERNURA DE MARIA
ESTEJAM CONVOSCO E COM OS VOSSOS!
Quero desenvolver convosco, alguns passos para aprofundarmos a qualidade
da nossa oração, pois percebo acompanhando tantos jovens, tantos membros
de grupos de oração e pastorais, que ainda não aprenderam a
rezar com o coração, a rezar com qualidade, a abandonar a sua vida e
descobrir a vontade de Deus nela.
Chamo a atenção sobre este ponto da "qualidade da
oração", tendo em vista que rezamos as vezes até
demais, rezamos novenas, terços, até as mil ave-marias, mas muitas
vezes como papagaios, repetimos as orações decorados ou escritas, mas
não rezamos com a alma, e assim não nos encontramos com Deus, não
descobrimos a Sua vontade sobre nós.
Pretendo então fazer uma catequese de oração convosco, e a partir daí,
iniciarmos pelo menos uma vez ao mês, meditarmos juntos a Palavra de
Deus em nossas vidas, mas para isso é necessário tirar um tempo, pelo
menos um dia ao mês e dá-lo ao Senhor, caso não seja possível um dia
inteiro, ao menos meio dia, onde você possa no silêncio do teu coração,
no silêncio do teu quarto se encontrar com o Teu Senhor que te chama
para falar ao teu coração.
Nossa Senhora em suas aparições em Lourdes, Fátima e Medjugorje, sempre
pede a oração. Em Fátima ela pediu que as crianças rezassem o rosário
completo, fizessem sacrifícios e penitência, pediu as crianças, e nós o
que fazemos por Maria?
Em Medjugorje, por meio da vidente Viska, Nossa Senhora disse: "Queridos
Filhos, vós sois chamados por mim à Escola da Oração e da Santidade,
rezar significa ser artífice da paz." (10 de janeiro de 2004).
Maria nos chama à escola da oração para que possamos aprender a rezar,
mas não rezar de qualquer jeito, mas rezar com o coração, pois como Ela
diz na mensagem do dia 25-12-93 "Vocês falam, mas não rezam, decidam-se
pela oração, somente assim Deus vos dará aquilo que pedem".
A partir disso gostaria de desenvolver alguns pontos convosco:
- Todo homem possui um desejo profundo de se encontrar com Deus, de
deixar-se conduzir pelo Espírito, contudo por sermos tanto alma e corpo,
e Deus somente Espírito puro, encontramos dificuldades neste encontro.
Mas o Catecismo da Igreja Católica (CICAR) nos esclarece com os
parágrafos 2591 e 2567 afirmando que: "Deus chama incansavelmente toda
pessoa ao encontro misterioso com Ele, pela oração, na qual a atitude do
homem é sempre uma resposta ao amor fiel de Deus".
- Desde toda a eternidade Deus pensou no homem, pensou em mim e em você,
nos amou, mas nós só podemos responder a este grande amor de Deus por
nós, uma vez que fazemos a experiência deste amor em nossas vidas.
Como responder ao amor de Deus? Amando! Amando a Deus em primeiro lugar,
sobre todas as coisas, e ao nosso próximo como a nós mesmos. Mas amar é
dar tempo, é estar junto, é doar-se.
Quero dizer que o homem deve responder com amor ao chamado de Deus,
pois, Deus chama o homem por e com amor. O amor é a alma da oração, é o
que movimenta o nosso coração a desejar Deus, a querer dialogar com
Deus, para descobrir a sua vontade em nossa vida, pois, se amamos,
falamos a mesma linguagem de Deus, e estaremos mergulhados em Deus que é
Amor.
No Evangelho de João 14, 15 há uma afirmação de
Jesus que diz "Se me amais observareis os meus mandamentos.", penso que
poderíamos dizer hoje: "Se rezais observareis os meus mandamentos", pois
só quem reza é capaz de responder ao amor fiel de Deus e de encontrar
forças para amar.
O Fundador do Mosteiro Regina Pacis, do qual sou membro, Pe. Eugenio
Maria, certa vez nos disse: "Amar é dar tempo a Deus, porque só quem ama
confia em compartilhar suas alegrias, tristezas e problemáticas com o
amado, esperando que ele, de algum modo ajude".
Esta oração movido pelo amor, a qual podemos chamar de oração do
coração, ou oração interior, é na verdade o desejo profundo de Deus, de
sua vontade, de se encontrar com Ele e escutá-lo falar em nosso coração,
mas para chegarmos à oração do coração, a oração com amor, devemos fazer
um caminho, no qual teremos como guia supremo o "Espírito Santo que vem
em socorro à nossa fraqueza".
Esta oração do coração deve ser uma experiência profunda com o Senhor,
pois "Sem Ele nada podemos fazer" como diz JO.15,
5, se por uma acaso não possuímos esta experiência profunda com o
Senhor, a nossa vida se torna sem sentido, surge em nosso coração o
sentimento de desânimo, de mesmice, angústia, tristeza, e o pior, peco
sabendo que estou me afundando cada vez mais na lama e não consigo sair.
Devemos estar abertos à ação do Espírito em nós para que possamos rezar,
ou melhor, amar. Se amamos concretamente, os irmãos, as coisas que
fazemos, e se fazemos tudo com amor, se vivemos o nosso dia guiado por
amor, poderemos dizer que estamos rezando com o coração, que estamos
rezando a Jesus Filho do Deus vivo.
A oração é algo concreto, é formada por atos de amor, mas para amar com
o amor de Deus, devo rezar, devo encontrar forças para amar, e isso só é
possível com a oração do coração. Só posso caminhar no amor se rezo. Se
não rezo, não encontrarei forças para amar, e se não amo, estou
caminhando em uma estrada esburacada, que provavelmente me conduzirá a
um lugar que dificilmente será a cidade celeste. Por que no fim das
nossas vidas seremos julgados conforme à medida que amamos. Só amaremos
verdadeiramente a Deus e aos irmãos se rezamos.
Na Encíclica “Deus caritas est” o Papa Bento XVI
nos ensina que a oração, as boas obras, são uma resposta ao amor fiel de
Deus, assim, com essa chave de leitura, fica fácil mergulharmos no
interessante caminho dos mistérios do Senhor, para chegarmos à oração do
coração, que tanto nos pede a Virgem Santíssima em suas aparições, sendo
que ela nos pede o terço, como meio para abrirmos o nosso coração a
Deus, e apara ajudar no cumprimento de seus planos, em nossas vidas, no
mundo e em nossas famílias.
O grande problema é que não queremos rezar, podemos até falar de oração,
se colocar em oração, mas na verdade, dar tempo a Deus, é muitas vezes
uma outra história, e o pior é que muitos de nós, preferem vestir uma
máscara diante de Deus, querem se mostrar bonzinhos, santos e etc....,
e assim deixam de reconhecer que são criaturas necessitadas do perdão e
da misericórdia de Deus, neste caso, a oração é uma farsa, é uma
mentira.
Do que adianta rezar o terço se quando chegou em casa maltrato os
filhos, a esposa, os amigos? Do que adianta rezar se minha vida não
muda? Mas não muda não porque Deus não quer, mas porque eu ainda não
estou rezando como Deus quer, porque ainda não me abandonei na oração a
tal ponto que o Espírito Santo de Deus reze em mim e por meio de mim,
para que a oração me transforme.
Orar é assumir um compromisso de mudança de vida diante de Deus! Para
isso devemos ser o que somos diante de Deus, rezar sobre as nossas
fraquezas, oferecê-las a Deus, pedir as graças necessárias para a nossa
conversão, ou seja rezar sem mentir a Deus, rezar sem vestir uma
máscara, pois Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Se
mentimos fazemos o papel de Satanás que é o mentiroso desde o
princípio. Devemos ser o que somos diante de Deus, ser sinceros em
nossas palavras, olhando-nos com o olhar de Deus, e não como gostaríamos
de ser. Devemos apresentar-Lhe nossas fraquezas, desejos e vontades,
mesmo que não sejam boas, pois só assim Ele pode nos curar. Devemos,
portanto, ser humildes na oração e não hipócritas que se acham bons e
sem pecados.
Também devemos ter a humildade de não nos acharmos auto-suficientes e
sabichões, pois se nos olhamos assim "O Espírito Santo não pode operar
milagres em nossas vidas" 25-05-91.
A humildade é a irmã gêmea da sinceridade, é o primeiro elemento do amor
na oração.
Ao invés de apontar o dedo para os outros, devemos bater no peito e
dizer: "tende piedade de mim que sou pecador"!
Você lembra do publicano no templo que foi humilde e reconheceu seu
pecado?
O fariseu fazia comparações, a sua medida para dizer se era justo ou
não, era a sua própria conduta, os seus méritos, a sua condição social,
ele era a medida de todas as coisas, e não era mais Deus. Enquanto o
publicano tem Deus como à medida de uma reta conduta moral, se reconhece
criatura, necessitado de Deus, reconhece o que ele é – um pecador – não
tem um alto conceito de si mesmo, e isto agradou a Deus, enquanto o
fariseu que se achava bom, santo, justo, cumpridor dos preceitos, foi
condenado por Jesus, pois teve um comportamento orgulhoso, se achava
Deus, se achava o exemplo, se achava bom e santo. É bom lembrar que a
oração atendida por Deus foi a do publicano, - o pecador – e não a do
que se achava santo e justo, pois, este diz o evangelho: “saiu sem a
justificação de Deus”, sem o perdão e a reconciliação do Senhor, saiu da
oração sem estar em comunhão com o Senhor.
Muitos me perguntam, mas Padre Mateus Maria, porque Deus ainda não me
atendeu quando lhe peço esta graça? É simples, muitas vezes não
recebemos uma graça particular de Deus, porque ainda somos muito
orgulhosos diante de Deus, achamos que Deus deve nos dar esta graça,
porque rezamos o rosário todo dia, porque vamos para a missa e etc....
Achamos que Deus deve nos dar porque merecemos, e isto mostra que também
nós somos fariseus, que atribuem o merecimento não a bondade de Deus,
mas ao nosso esforço pessoal. Oxalá, nos colocássemos diante de Deus,
como Mendigos, necessitados da graça, com um coração suplicante e
humilde, que apresentam a Deus suas misérias, as suas mãos vazias,
necessitados da sua Graça..
Para que a oração flua com naturalidade devemos experimentar que o amor
de Deus é fiel, desinteressado, apaixonado, puro, constante, intenso por
nós, isto porque já sabemos que Ele nos ama mesmo quando estamos no
pecado, e estende sempre a sua mão para nos salvar, criando mil e um
caminhos para nos dar a oportunidade de encontrá-Lo, e sobretudo, Ele
vem ao meu encontro.
Compreender que Deus me ama e ama a cada um de nós é mergulhar em seu
amor, e se entendo isto, se faço esta experiência de amor, desejarei
retribuir ao seu amor, amando e estando com Ele. Só assim caminharemos
na Santidade, na oração, que nada mais é que este encontro de amor com o
Senhor que nos criou por amor, que desde toda eternidade pensou
em nós, em
mim e me designou para fazer algo por Ele.
Só quando faço a experiência do amor do Senhor em minha vida, consigo
deixar de lado todos os amorecos que habitam dentro do meu coração, e
assim deixando estes ídolos, terei só o Senhor como o meu único Deus.
Podemos experimentar este amor de Deus, contemplado a sua Palavra com a
chave de leitura “o amor” (Deus que fala por amor e que me da uma
resposta de amor para as minhas interrogações mais profundas), pois só
quando experimento este amor profundo de Deus por mim, é que posso
mudar.
No meu ano de noviciado, tive a graça de fazer o retiro de 40
dias de
deserto, quarenta dias de silêncio, oração, trabalho, sendo que uma
semana era de jejum só com água, mas lá aprendi a amar a Palavra de Deus
a meditá-la, e sendo dirigido espiritualmente pelo
Padre Gasparino, fundador do Movimento Contemplativo Missionário, Pe. De
Foucauld, escutava ele dizer: "podemos experimentar o amor de Deus,
interpretando a Sua palavra com uma chave de amor, e não interpretá-la
fixando o sentido moralista, pois este a fecha em seu sentido mais
amplo, e nos impede de lê-la, extraindo dela uma resposta de amor para
nós”.
Devemos ler a Palavra buscando o amor de Deus, buscando uma resposta de
amor. Na tradição monástica isto se chama "Lectio Divina", a qual é
constituída de leitura, meditação, contemplação, oração e ação (mais
adiante explicarei o método da Lectio
Divina).
Se me encontro com o meu Senhor no silêncio, na humildade e sinceridade
de coração, na alegria de experimentar o seu amor, necessariamente
corresponderei a seu amor. Eu me doarei à sua vontade, aceitando a cruz
que Ele deseja me dar e não escolherei para mim a cruz que gostaria de
carregar. Se realmente amo a Deus e amo a Maria com um amor filial,
deverei ser obediente à Palavra de Deus, ser obediente às mensagens da
Virgem Maria.
Um filho mostra que ama quando obedece, nós só mostraremos que realmente
amamos a Jesus e a Maria, quando vivermos o que dizem, ou ao menos
quando colocarmos todos os nossos esforços para obedecê-los. Jesus no
Evangelho de João diz: "quem me ama observa as minhas palavras", ou
seja, é obediente.
Quando nos reunimos para rezar o terço, meditar a Palavra, não podemos
desejar o "oba-oba", de uma oração superficial, em busca de sentir um
arrepio na oração, ter uma palavra de sabedoria e etc..., mas devemos
nos reunir para rezar e ser agradáveis a Deus por meio da oração do
terço e da leitura da Palavra.
Se amo Nossa Senhora, ao menos devo me esforçar de dar a Ela tempo,
tempo na oração, e sobre tudo rezar com qualidade com amor, pois quando
amo uma pessoa, desejo estar com ela. Mas como está a minha vida de
oração? Estou rezando no mínimo meia hora de manhã e meia hora à noite
para poder me preparar para os encontro do terço e da partilha da
Palavra? Digo isto, porque se não preparo a oração comunitária, com a
oração pessoal, me perco, me distraio, fico voando.
Bom, paro por aqui, e como “lição de casa”, gostaria de sugerir-lhes de
se esforçarem para rezar com mais atenção, com mais amor, principalmente
o terço, e em cada Ave-Maria que pronunciarmos, rezá-las com amor,
oferecendo cada uma delas, como uma rosa a nossa Mãe Amada a Virgem
Maria.
E por Intercessão da Toda Santa e Toda Pura, a Bem-Aventurada e Sempre
Virgem Maria Rainha da Paz, abençõe-vos o Deus Todo-Poderoso e
Misericordioso: "Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém!”
PERMANECEI NA PAZ E CAMINHAI SEMPRE NELA!
PE. MATEUS MARIA, FMDJ
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UNIDOS EM ORAÇÃO COM MARIA! |
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