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O SEGREDO DA
POPULARIDADE DE BENTO XVI |
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Pe. Eugenio Maria La Barbera
Pirovano
Prior |
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Embora
perseguido por criticas, este Papa continua despertando a
confiança das grandes massas. A viagem à África e uma pesquisa na
Itália o confirmaram. O motivo é que fala de Deus para uma
humanidade que procura orientação.
No vôo de volta de Camarões e de Angola, Bento XVI disse aos
jornalistas que, da viagem, permaneceram impressas na memória duas
coisas:
Por um lado a cordialidade quase exuberante, a alegria de uma
África em festa. No Papa viram, digamos assim, a personificação do
fato de que todos somos filhos e família de Deus. Esta família
existe e nós, com todas as nossas limitações, formamos esta
família e Deus está conosco.
Por outro lado, me impressionou muito o espírito de recolhimento
durante as celebrações litúrgicas, e o intenso sentido do sagrado:
durante a liturgia os grupos não se apresentavam a si mesmos, não
se auto-animavam, mas a presença do sacro, do mesmo Deus. Também
os movimentos, as danças, eram sempre de respeito e de
reconhecimento da presença Divina.
Popularidade e presença de Deus. O entrelaçamento entre dois
elementos é o segredo do Pontificado de Joseph Ratzinger.
Que Bento XVI seja um Papa popular parece estar em contradição com
as avalanches de criticas hostis que se abatem cotidianamente
sobre Ele, por parte dos meios de comunicação do mundo inteiro.
Neste ultimo mês essas criticas registraram um crescimento sem
precedentes. Também representantes oficiais dos governos não têm
mais nenhum resguardo em atacar a atuação do Santo Padre.
Porém, se observamos o grande número de pessoas que acorrem para
escutá-lo, a impressão muda completamente. Nas suas viagens Bento
XVI registrou sempre índices de popularidade superiores às
expectativas. Não somente na África, mas também em praças difíceis
como os Estados Unidos e a França. Em Roma, durante a oração do
Ângelus do domingo ao meio dia, a Praça de São Pedro está cada vez
mais repleta de pessoas, em número bem maior que nos últimos anos
de João Paulo II.
Isto não significa que essa enorme massa de pessoas aceita e
pratica em uníssono os ensinos do Papa e da Igreja. Várias
pesquisas mostram que a respeito do casamento, da sexualidade, do
aborto, da eutanásia e da contracepção, o juízo de um amplo número
de pessoas está mais ou menos distante do Magistério da Igreja.
Ao mesmo tempo, todavia, a maioria dessas mesmas pessoas manifesta
um profundo respeito pela figura do Papa e pela Autoridade da
Igreja.
O caso da Itália é exemplar. No dia 25 de março deste ano, no
jornal a Republica este é o cotidiano progressista líder de
esquerda, muito cáustico em criticar e condenar Bento XVI o
sociólogo Ilvo Diamanti ofereceu uma enésima confirmação da
altíssima taxa de confiança que os italianos continuam depositando
na Igreja Católica e no Santo Padre, não obstante a difundida
discrepância sobre vários pontos do seu ensinamento.
Por exemplo, perguntados sobre se estão a favor ou contra a
afirmação do Papa a respeito do preservativo que não resolve o
problema da AIDS, mas o agrava três de cada cinco se declararam
contra. Porém, os mesmos entrevistados, perguntados sobre a
própria confiabilidade na Igreja Católica, responderam muito ou
muitíssimo na medida de 68,1 por cento. E resultou ampla também a
confiança que se tem em Bento XVI, cerca de 64,9 por cento. Não só
isso. A mesma pesquisa indica que a confiança na Igreja e no Papa
não está caindo, mas aumentando em relação a um ano atrás.
O Sociólogo, professor Ilvo Diamanti explica assim este aparente
contraste:
A Igreja e o Papa intervêm em temas sensíveis de ética pública e
privada de modo aberto e direto, sem nenhum subterfúgio. Oferecem
respostas discutíveis e que freqüentemente são discutidas,
combatida tanto pela direita como pela esquerda. Todavia, oferecem
certezas em uma sociedade insegura, em busca de referências e
valores, que os Governantes das Nações não sabem oferecer. Por
isso, 8 em cada 10 italianos, entre os não praticantes, consideram
importante dar aos seus filhos uma educação católica e inscrevem
os filhos na hora de religião católica, que é facultativa pelo
Estado Italiano. Por isso, uma maioria absoluta das famílias, mais
de 90 por cento, destinam para a Igreja Católica 0,8 por cento do
seu próprio imposto de renda
E é por esse mesmo motivo se pode acrescentar que o chefe do
Governo italiano, Silvio Berlusconi, nunca se uniu ao coro de
críticas de vários governantes europeus. Aliás, se expressou em
sentido contrário declarando que é necessário respeitar a Igreja e
defender a sua liberdade de palavra e ação também quando proclama
princípios e conceitos difíceis e impopulares, distantes daqueles
que são as opiniões da moda corrente. Com estas palavras,
Berlusconi expressou simplesmente o sentimento comum da maioria
dos italianos.
Os dados citados apenas permitem entrever a substância da questão:
que a popularidade de Bento XVI tem a sua fonte precisamente pelo
modo que desempenha a sua missão de sucessor de Pedro. Este Papa é
respeitado e admirado por uma razão fundamental. Porque pôs em
cima de tudo esta prioridade, formulada por Ele mesmo na carta
enviada aos Bispos em 10 de março passado e que se torna um
documento capital do seu pontificado:
No nosso tempo, no qual em vastas zonas da terra a fé está em
perigo de apagar-se como uma flama que não encontra mais alimento,
a prioridade que está acima de tudo é de tornar Deus presente
neste mundo e de abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus
qualquer, mas àquele Deus que falou no monte Sinai; àquele Deus
cujo rosto reconhecemos no amor levado até o extremo (cf. João 13,
1), em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. O autêntico
problema neste momento atual da história é que Deus desaparece no
horizonte dos homens e, com o apagar-se da luz que vem de Deus, a
humanidade se vê afetada por falta de orientação, cujos efeitos
destrutivos se manifestam cada vez mais
Antes de partir para a África, Bento XVI não disse nada de
diferente para explicar as finalidades da sua viagem à multidão
reunida na Praça de São Pedro para o Ângelus:
Viajo para a África com a convicção do que não tenho nada a propor
ou dar àqueles que encontrarei, senão Cristo e a Boa Nova da Cruz,
mistério de amor supremo, de amor divino que vence toda
resistência humana e torna possível até o perdão e o amor para com
os inimigos. Esta é a Graça do Evangelho, capaz de transformar o
mundo; esta é a Graça que pode renovar também a África, porque
gera uma força irresistível de paz e de reconciliação profunda e
radical. A Igreja não persegue objetivos econômicos, sociais ou
políticos; a Igreja anuncia a Cristo. Convencida de que o
Evangelho pode tocar os corações de todos e transformá-los,
renovando deste modo a pessoa no seu interior e assim a sociedade
toda.
Em Camarões e em Angola, o coração da mensagem foi efetivamente
esta. Não as denúncias embora proferidas com palavras fortes dos
males do Continente e das responsabilidades de quem os geram. Mas,
primeiramente, foi o anúncio que Pedro fez ao aleijado no capítulo
terceiro dos Atos dos Apóstolos: "Não
possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: Em nome
de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda"!
(Atos 3. 6).
Pe. Eugenio Maria, FMDJ
Prior do Mosteiro Regina Pacis |
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