A Santa Missão de Nossa Senhora em prol da Família

ARTIGOS DOS PADRES DE FMDJ

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AFETIVIDADE DOM DE DEUS

Pe. Martinho Maria de Porres, F.M.D.J.
Promotor Vocacional

 

A nossa afetividade é, sem dúvida uma riqueza humana e um verdadeiro dom de Deus. Para todas aquelas pessoas, que desejam se consagrar a Deus e assim se realizar como consagrados felizes e capazes de ajudar os outros, não podemos nem devemos matar a nossa afetividade, mas sim integrá-la. Integrar quero dizer, signífica incorporar harmoniosamente um aspecto ou tendência na unidade do nosso ser, seja ele homem ou mulher.

Hoje, fala-se muito em visões integralísticas, sintetizadoras da totalidade organizada. Mas pouco se fala e se faz para que o homem encontre esta unidade harmánica da sua afetividade.

Para melhor intendê-la e harmonizá-la é necessário que percorremos alguns pontos, que são significantes para obter este fruto.


> A integraçãoo através do auto-conhecimento: diria que, nesta sociedade atual não é muito fácil conhecer-se a si mesmo, devido as manipulaçõeses em que estamos sujeitos, e menos ainda na juventude. Hoje, estão em voga os chamados livros de auto-ajuda, além dos diversos tipos de psicoterapia. A constatação de nossas limitaçõeses ou inconsistências psicológicas não deveria nos levar ao desânimo. Também os traumas que trazemos do passado, das nossas experiências ou até mesmo as falhas da nossa educação, devem ser descobertos a fim de serem superados, na medida do possível, é claro. Tradicionalmente, recomenda-se sempre o exame de consciência ou ainda a revisão de vida, a orientação ou acompanhamento espiritual e a correção fraterna.

> A integração através das relaçõeses humanas:
Viver é conviver, nos diz um antigo provérbio. Ninguém se torna gente sozinho. O menino perdido na selva, crescido entre os lobos, virou um "menino-lobo". O ser humano, para tornar-se adulto, afetivamente integrado, precisa passar por um longo aprendizado de relaçãoes humanas. As crianças se relacionam com os outros de uma maneira possessiva.

Os adolescentes rejeitam algumas pessoas, para se auto-afirmarem, e compram o afeto de outras, isto é, dão para receber em troca. O adulto afetivamente maduro é capaz de amar gratuitamente, doando-se ao outro sem mendigar afeto, nem depender afetivamente do outro. Um vocacionado ou vocacionada, para a vida consagrada deve cultivar as relaçães humanas, ser capaz de cativar e conservar boas amizades, não por interesse, mas gratuitamente, querendo o bem dos outros, como Jesus, que passou pela vida fazendo o bem a todos, sem apegar-se nem tomar dependentes os outros.


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A integração através do encontro com Deus: O Deus da revelação judeu-cristão é um Deus amor, Ágape, para usar o termo devido, envolvido afetivamente com os seres humanos. “Tanto amou Deus o mundo que enviou seu Filho”, nos diz o evangelista João (Jo. 3, 16). O pai da psicanálise, dizia que uma pessoa é realmente madura quando é capaz de trabalhar e de amar. Para nós seguidores de Cristo eu acrescentaria que, um cristão é afetivamente maduro quando ele é capaz de trabalhar, de amar e de rezar. Porque sem oração não é possível viver bem a fé cristã e muito menos a vida celibatária ou virgindade consagrada.

Rezar é relacionarmo-nos conscientemente com Deus
, e como Deus é mistério, a oração participa deste caráter misterioso. Existem momentos em que a oração flui naturalmente, como uma conversa espontânea, com Aquele que nos ama, sem medida alguma. Outras vezes, parece que estamos sozinhos, fazendo um monólogo, diante do Deus do silêncio.
Todos nós que rezamos, temos por assim dizer, algum tipo de dificuldade com a oração. Os únicos, acredito eu, que parece não ter problema ou dificuldade com a oração, são aqueles que não rezam. A pesar das dificuldades, nós cristãos, somos capazes de amar e de rezar, porque "o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm. 5, 5).
No diálogo de amor com seu Deus a pessoa consagrada tem uma imediatez superior ao contrário do diálogo entre duas pessoas, como por exemplo, marido e mulher. O amor de um homem para uma mulher é inevitavelmente limitado necessitado de manifestações externas e passível de dúvidas, ciúmes e lamentavelmente de infidelidades. O amor de Deus, como sabemos é infinito, não tem a necessidade da gratificação sensível, porque ele é mais sublime e mais íntimo, imediato, gratuito e fiel. O nosso amor pode falhar, como sempre constatamos, mas o amor de Deus por nós é irreversível.

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A integração através da experência com Jesus Cristo: A Igreja Católica entende por mística cristã a característica substancial dada pela experiência de intimidade profunda e permanente com a pessoa de Jesus Cristo. Jesus nos amou "até o fim", até o extremo de dar a Sua própria vida por nós. Conhecemos um outro provérbio que diz, "amor se paga com amor" .

A graça de todas as graças diria que é amar a Jesus Cristo, como se ama realmente um ser vivo, que conheço intimamente, que entregou a
Sua vida por mim. Não como se ama um homem ou uma mulher com quem nos ligamos, em corpo e alma, para o resto da vida. Jesus para nós cristãos, e particularmente para os consagrados e consagradas, é um verdadeiro e real amor, não somente para esta vida, mas para toda a eternidade. Um amor, que já pode ser, vivido e alimentado aqui nesta vida presente através da fé.
A fé é uma confiança amorosa. Não basta somente a participação da nossa inteligência na opção de fé. Faz-se necessária a participaçao do nosso ser por inteiro, sem isso, a nossa fé fica teórica, fria, seca e inconsistente. Daí que muitas pessoas que aparentemente pareciam ter muita fé, teórica, possam assim dar uma guinada repentina na vida, impulsionadas por outro amor.
Quem tem amor para com Cristo, tem que cuidá-lo e cultivá-lo, pacientemente, todos os dias da sua vida. Não basta fazer cursos de espiritualidade, o problema está, em não saber cultivar este amor nas experiências do dia-a-dia.


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A integração através da pureza mental: O que pensamos influencia no que sentimos, isto é mais do que comprovado. Por isso, para superar uma afetividade desordenada e até depressiva, recomendo que cultive na mente pensamentos positivos, que agradam a Deus. Por exemplo as famosas jaculatórias, que são, breves orações repetidas no coração e que nos ajudam a superar as dificuldades.

Precisamos equilibrar nossa afetividade com a nossa razão. A razão deve controlar nossas emoções e não o contrário. Acredita que, as vezes, é prefer
ível perder, sofrer ou até mesmo pagar um preço elevado, em vista de um bem maior, ainda que não seja prazeroso aparentemente, mas que é um bem real, que nos ajuda e que nos eleva ao Bem Supremo, Cristo Senhor.
Se faz jus recordar que, sentir não é consentir. Sentir, não faz mal e pode didaticamente até nos ensinar a ser mais humildes, mais simples e esperançoso no Senhor. Enquanto que consentir, pode ser perigoso e desastroso. A afetividade somente sente, sem discernir, a razão é que nos ajuda a discernir, o que é bom e o que é recomendável para meu amadurecimento. A vontade, iluminada pela razão, decide. Para ser forte e perseverante, a vontade precisa concentrar-se ao redor de um objetivo, e não dispersar-se em diversos e sucessivos objetivos. "A paciência tudo alcança...", nos diz São Paulo.

Portanto, insista não fique na beira do caminho, a se lamentar, procure silenciar-se, para que assim, possas ouvir o que o Senhor tem a te dizer. Todos nós somos chamados a santidade, quem sabe se o teu caminho não seja este, de se santificar, oferecendo tuas limitações e tuas fraquezas ao Senhor.

Para que a nossa afetividade seja harmonizada, primeiramente preciso tomar conta de que preciso de ajuda, que não sou dono de mim mesmo, mas que pertenço a Deus e sou fruto de seu amor. Sendo assim, estarei aberto a tudo aquilo que Deus tem para mim.