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A nossa
afetividade é, sem dúvida uma riqueza humana e um verdadeiro dom
de Deus. Para todas aquelas pessoas, que desejam se consagrar a
Deus e assim se realizar como consagrados felizes e capazes de
ajudar os outros, não podemos nem devemos matar a nossa
afetividade, mas sim integrá-la. Integrar quero
dizer, signífica incorporar harmoniosamente um aspecto ou
tendência na unidade do nosso ser, seja ele homem ou mulher.
Hoje, fala-se muito em visões integralísticas, sintetizadoras da
totalidade organizada. Mas pouco se fala e se faz para que o homem
encontre esta unidade harmánica da sua afetividade.
Para melhor intendê-la e harmonizá-la é necessário que percorremos
alguns pontos, que são significantes para obter este fruto.
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A
integraçãoo através do auto-conhecimento:
diria
que, nesta sociedade atual não é muito fácil conhecer-se a si
mesmo, devido as manipulaçõeses em que estamos sujeitos, e menos
ainda na juventude. Hoje, estão em voga os chamados livros de
auto-ajuda, além dos diversos tipos de psicoterapia. A constatação
de nossas limitaçõeses ou inconsistências psicológicas não deveria
nos levar ao desânimo. Também os traumas que trazemos do passado,
das nossas experiências ou até mesmo as falhas da nossa educação,
devem ser descobertos a fim de serem superados, na medida do
possível,
é
claro. Tradicionalmente, recomenda-se sempre o exame de
consciência ou ainda a revisão de vida, a orientação ou
acompanhamento espiritual e a correção fraterna.
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A
integração através das relaçõeses humanas:
Viver é conviver, nos diz um antigo provérbio. Ninguém se
torna gente sozinho. O menino perdido na selva, crescido entre os
lobos, virou um "menino-lobo". O ser humano, para tornar-se
adulto, afetivamente integrado, precisa passar por um longo
aprendizado de relaçãoes humanas. As crianças se relacionam com os
outros de uma maneira possessiva.
Os adolescentes rejeitam algumas pessoas, para se auto-afirmarem,
e compram o afeto de outras, isto é, dão para receber em troca. O
adulto afetivamente maduro é capaz de amar gratuitamente,
doando-se ao outro sem mendigar afeto, nem depender afetivamente
do outro. Um vocacionado ou vocacionada, para a vida consagrada
deve cultivar as relaçães humanas, ser capaz de cativar e
conservar boas amizades, não por interesse, mas gratuitamente,
querendo o bem dos outros, como Jesus, que passou pela vida
fazendo o bem a todos, sem apegar-se nem tomar dependentes os
outros.
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A integração
através do encontro com Deus:
O Deus da revelação judeu-cristão
é
um Deus amor, Ágape, para usar o termo devido, envolvido
afetivamente com os seres humanos. “Tanto amou Deus o mundo que
enviou seu Filho”, nos diz o evangelista João (Jo. 3, 16). O pai
da psicanálise, dizia que uma pessoa é realmente madura quando é
capaz de trabalhar e de amar. Para nós seguidores de Cristo eu
acrescentaria que, um cristão é afetivamente maduro quando ele é
capaz de trabalhar, de amar e de rezar. Porque sem oração não é
possível viver bem a fé cristã e muito menos a vida celibatária ou
virgindade consagrada.
Rezar é relacionarmo-nos conscientemente com Deus,
e
como Deus é mistério, a oração participa deste caráter misterioso.
Existem momentos em que a oração flui naturalmente, como uma
conversa espontânea, com Aquele que nos ama, sem medida alguma.
Outras vezes, parece que estamos sozinhos, fazendo um monólogo,
diante do Deus do silêncio.
Todos nós que rezamos, temos por assim dizer, algum tipo de
dificuldade com a oração. Os únicos, acredito eu, que parece não
ter problema ou dificuldade com a oração, são aqueles que não
rezam. A pesar das dificuldades, nós cristãos, somos capazes de
amar e de rezar, porque "o amor de Deus foi derramado em nossos
corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm. 5, 5).
No diálogo de amor com seu Deus a pessoa consagrada tem uma
imediatez superior ao contrário do diálogo entre duas pessoas,
como por exemplo, marido e mulher. O amor de um homem para uma
mulher é inevitavelmente limitado necessitado de manifestações
externas e passível de dúvidas, ciúmes e lamentavelmente de
infidelidades. O amor de Deus, como sabemos é infinito, não tem a
necessidade da gratificação sensível, porque ele é mais sublime e
mais íntimo, imediato, gratuito e fiel. O nosso amor pode falhar,
como sempre constatamos, mas o amor de Deus por nós é
irreversível.
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A integração
através da experência com Jesus Cristo:
A Igreja Católica entende por mística cristã a característica
substancial dada pela experiência de intimidade profunda e
permanente com a pessoa de Jesus Cristo. Jesus nos amou "até o
fim", até o extremo de dar a Sua própria vida por nós. Conhecemos
um outro provérbio que diz,
"amor
se paga com amor"
.
A graça de todas as graças diria que é amar a Jesus Cristo, como
se ama realmente um ser vivo, que conheço intimamente, que
entregou a
Sua
vida por mim. Não como se ama um homem ou uma mulher com quem nos
ligamos, em corpo e alma, para o resto da vida. Jesus para nós
cristãos, e particularmente para os consagrados e consagradas,
é
um verdadeiro e real amor, não somente para esta vida, mas para
toda a eternidade. Um amor, que já pode ser, vivido e alimentado
aqui nesta vida presente através da fé.
A fé é uma confiança amorosa. Não basta somente a participação da
nossa inteligência na opção de fé. Faz-se necessária a
participaçao do nosso ser por inteiro, sem isso, a nossa fé fica
teórica, fria, seca e inconsistente. Daí que muitas pessoas que
aparentemente pareciam ter muita fé, teórica, possam assim dar uma
guinada repentina na vida, impulsionadas por outro amor.
Quem tem amor para com Cristo, tem que cuidá-lo e cultivá-lo,
pacientemente, todos os dias da sua vida. Não basta fazer cursos
de espiritualidade, o problema está, em não saber cultivar este
amor nas experiências do dia-a-dia.
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A integração
através da pureza mental:
O que pensamos influencia no que sentimos, isto é mais do que
comprovado. Por isso, para superar uma afetividade desordenada e
até depressiva, recomendo que cultive na mente pensamentos
positivos, que agradam a Deus. Por exemplo as famosas
jaculatórias, que são, breves orações repetidas no coração e que
nos ajudam a superar as dificuldades.
Precisamos equilibrar nossa afetividade com a nossa razão. A razão
deve controlar nossas emoções e não o contrário. Acredita que, as
vezes, é preferível
perder, sofrer ou até mesmo pagar um preço elevado, em vista de um
bem maior, ainda que não seja prazeroso aparentemente, mas que é
um bem real,
que
nos ajuda e que nos eleva ao Bem Supremo, Cristo Senhor.
Se faz jus recordar que, sentir não é consentir. Sentir, não faz
mal e pode didaticamente até nos ensinar a ser mais humildes, mais
simples e esperançoso no Senhor. Enquanto que consentir, pode ser
perigoso e desastroso. A afetividade somente sente, sem discernir,
a razão é que nos ajuda a discernir, o que é bom e o que é
recomendável para meu amadurecimento. A vontade, iluminada pela
razão, decide. Para ser forte e perseverante, a vontade precisa
concentrar-se ao redor de um objetivo, e não dispersar-se em
diversos e sucessivos objetivos. "A paciência tudo alcança...",
nos diz São Paulo.
Portanto, insista não fique na beira do caminho, a se lamentar,
procure silenciar-se, para que assim, possas ouvir o que o Senhor
tem a te dizer. Todos nós somos chamados a santidade, quem sabe se
o teu caminho não seja este, de se santificar, oferecendo tuas
limitações e tuas fraquezas ao Senhor.
Para que a nossa afetividade seja harmonizada, primeiramente
preciso tomar conta de que preciso de ajuda, que não sou dono de
mim mesmo, mas que pertenço a Deus e sou fruto de seu amor. Sendo
assim, estarei aberto a tudo aquilo que Deus tem para mim. |