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A
Intermediação de Maria Mãe de Deus, e nossa, para nos levar ao
Cordeiro de Deus |
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1. Hoje em dia
fala-se muito de diálogo, em todos os âmbitos da vida. Mas isso não
quer dizer que se dialogue muito. Porque falar é fácil, ensinar é
fácil. Mas dialogar é difícil.
Também na família, o verdadeiro diálogo é raro. Também nas famílias
aonde aparentemente tudo vai bem, aonde ninguém jamais levanta a
voz.
2. O que vale e é necessário é o verdadeiro diálogo. Certa
tolerância em relação aos pontos de vista dos filhos, não é diálogo.
Certo colocar-se em seu lugar, como amigo compreensivo, não é ainda
diálogo.
O diálogo supõe uma profunda atitude interior, a virtude da
humildade. Não crer ser possuidor de toda a verdade, perfeitos,
imutáveis. Mas sim conhecer os próprios limites, a necessidade de
melhorar, de mudar. Esta humildade é a condição do diálogo.
3. O que acontece é que o diálogo autêntico se dá entre verdadeiras
pessoas. E pertence à humildade reconhecer ao outro, também ao
filho, como pessoa verdadeira. Menor, mais débil, menos preparada
para viver, mas pessoa. Pessoa original, consciente, capaz de
assumir a responsabilidade das próprias decisões.
O diálogo é uma misteriosa ponte estendida entre seres livres: não
necessariamente da mesma idade, com a mesma preparação, não
necessariamente iguais; mas sim necessariamente conscientes e
livres.
O diálogo verdadeiro não exclui a autoridade que um possa ter sobre
o outro. Exclui, em troca, qualquer forma de menosprezo, de falta de
estima ou respeito, de paternalismo. Os pais que dialogam com seus
filhos verão aumentar sua autoridade. Assim como Deus não temeu
perder autoridade por dialogar com o homem; até se fez um de nós
para facilitá-lo.
4. Dialogar significa falar, mas também escutar. O diálogo entre
pais e filhos é difícil, porque há pais e algumas vezes também
filhos que não sabem escutar.
Por um lado, é um problema de tempo: A mãe encontra-se às vezes
absorta pelos afazeres do lar, certamente muito importantes.
Mas não é menos importante escutar ao filho que regressa da escola.
É certo que pai tem muito que fazer.
Mas sempre deve haver tempo para o mais importante; e para um pai
não há nada mais importante que atender, cuidar e educar o filho.
Poderia dizer que os pais estão dispostos a escutar, mas que os
filhos não estão dispostos a falar. Mas, fundamentalmente de quem é
a culpa? Talvez os filhos tentassem e não se lhes prestou suficiente
atenção. Então se fecharam em seu silencio. Sua sensibilidade com
relação à atenção dos pais é enorme, até pode parecer exagerada.
O que o jovem quer dizer, tem para ele muita importância. O pensou e
repensou, até o sofreu. E se não encontra em casa quem queira
escutá-lo, buscará fora dela atenções mais ou menos autênticas.
5. Saber escutar, mais que um problema de tempo é um ato de atenção
e de disponibilidade interior. Por isso é tão difícil. Trata-se de
ter em si mesmo um pouco de lugar pare o outro e o que diz. Trata-se
de não estar cheio de si mesmo, ter lugar para os demais. Se não
sabemos escutar ao outro com amor alegre, ele percebe, e não fala
mais.
O verdadeiro diálogo pressupõe a atenção: atenção à vida dos filhos,
a suas palavras, a seus problemas. Por isso, para amar aos filhos é
indispensável saber mirá-los. Trata-se de uma mirada atenta, na qual
a alma se esvazia de todo conteúdo próprio, para receber em si ao
ser que contempla, tal como é, com toda sua verdade e sua riqueza.
6. Queridos irmãos, peçamos a Santíssima Virgem que regale a nós, a
nossos pais e a nossos filhos, a graça de um diálogo familiar
fecundo e permanente e que assim nossas famílias possam crescer cada
vez mais em amor, em entrega e em compreensão mútua.
Perguntas para a reflexão
1. Presto suficiente atenção quando o outro fala?
2. Acompanho as tarefas escolares dos filhos?
3. Coloco nas mãos de Deus meus esforços para a educação de meus
filhos?
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