A Intermediação de Maria Mãe de Deus, e nossa, para nos levar ao Cordeiro de Deus

 
Padre Nicolas

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O diálogo familiar
1. Hoje em dia fala-se muito de diálogo, em todos os âmbitos da vida. Mas isso não quer dizer que se dialogue muito. Porque falar é fácil, ensinar é fácil. Mas dialogar é difícil.
Também na família, o verdadeiro diálogo é raro. Também nas famílias aonde aparentemente tudo vai bem, aonde ninguém jamais levanta a voz.

2. O que vale e é necessário é o verdadeiro diálogo. Certa tolerância em relação aos pontos de vista dos filhos, não é diálogo. Certo colocar-se em seu lugar, como amigo compreensivo, não é ainda diálogo.
O diálogo supõe uma profunda atitude interior, a virtude da humildade. Não crer ser possuidor de toda a verdade, perfeitos, imutáveis. Mas sim conhecer os próprios limites, a necessidade de melhorar, de mudar. Esta humildade é a condição do diálogo.

3. O que acontece é que o diálogo autêntico se dá entre verdadeiras pessoas. E pertence à humildade reconhecer ao outro, também ao filho, como pessoa verdadeira. Menor, mais débil, menos preparada para viver, mas pessoa. Pessoa original, consciente, capaz de assumir a responsabilidade das próprias decisões.

O diálogo é uma misteriosa ponte estendida entre seres livres: não necessariamente da mesma idade, com a mesma preparação, não necessariamente iguais; mas sim necessariamente conscientes e livres.

O diálogo verdadeiro não exclui a autoridade que um possa ter sobre o outro. Exclui, em troca, qualquer forma de menosprezo, de falta de estima ou respeito, de paternalismo. Os pais que dialogam com seus filhos verão aumentar sua autoridade. Assim como Deus não temeu perder autoridade por dialogar com o homem; até se fez um de nós para facilitá-lo.

4. Dialogar significa falar, mas também escutar. O diálogo entre pais e filhos é difícil, porque há pais e algumas vezes também filhos que não sabem escutar.

Por um lado, é um problema de tempo: A mãe encontra-se às vezes absorta pelos afazeres do lar, certamente muito importantes.

Mas não é menos importante escutar ao filho que regressa da escola. É certo que pai tem muito que fazer.

Mas sempre deve haver tempo para o mais importante; e para um pai não há nada mais importante que atender, cuidar e educar o filho.

Poderia dizer que os pais estão dispostos a escutar, mas que os filhos não estão dispostos a falar. Mas, fundamentalmente de quem é a culpa? Talvez os filhos tentassem e não se lhes prestou suficiente atenção. Então se fecharam em seu silencio. Sua sensibilidade com relação à atenção dos pais é enorme, até pode parecer exagerada.

O que o jovem quer dizer, tem para ele muita importância. O pensou e repensou, até o sofreu. E se não encontra em casa quem queira escutá-lo, buscará fora dela atenções mais ou menos autênticas.

5. Saber escutar, mais que um problema de tempo é um ato de atenção e de disponibilidade interior. Por isso é tão difícil. Trata-se de ter em si mesmo um pouco de lugar pare o outro e o que diz. Trata-se de não estar cheio de si mesmo, ter lugar para os demais. Se não sabemos escutar ao outro com amor alegre, ele percebe, e não fala mais.

O verdadeiro diálogo pressupõe a atenção: atenção à vida dos filhos, a suas palavras, a seus problemas. Por isso, para amar aos filhos é indispensável saber mirá-los. Trata-se de uma mirada atenta, na qual a alma se esvazia de todo conteúdo próprio, para receber em si ao ser que contempla, tal como é, com toda sua verdade e sua riqueza.

6. Queridos irmãos, peçamos a Santíssima Virgem que regale a nós, a nossos pais e a nossos filhos, a graça de um diálogo familiar fecundo e permanente e que assim nossas famílias possam crescer cada vez mais em amor, em entrega e em compreensão mútua.

Perguntas para a reflexão

1. Presto suficiente atenção quando o outro fala?
2. Acompanho as tarefas escolares dos filhos?
3. Coloco nas mãos de Deus meus esforços para a educação de meus filhos?

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