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A
Intermediação de Maria Mãe de Deus, e nossa, para nos levar ao
Cordeiro de Deus |
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| O
Conselho Evangélico da Pobreza |
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Ninguém pode ser
santo se está interiormente escravizado a bens terrenos. Mais ainda,
segundo Santo Agostinho o último e o mais difícil da santidade é
esse amor à pobreza e a renuncia aos bens. E, por quê? Porque o
apetite e o apego às coisas materiais são os melhores argumentos do
diabo. Uma das feridas que deixou o pecado original em nossa
natureza é o impulso desordenado de possuir. Essa ambição irracional
faz que nos apeguemos aos bens passageiros, nos faz crer que é
indispensável viver rodeados de mil comodidades. Apega-nos
desordenadamente as coisas terrenas, nos amarra a valores que não
são essenciais. São Paulo chama por isso ao afã de possuir “a raiz
de todos os males” (1ª Tim.
6, 10) e o Eclesiástico diz que “os
ambiciosos são como cães famintos que nunca se satisfazem”.
Qual é, então, o sentido de nosso espírito de pobreza? Parece-me que
o sentido principal é: não nos atar as coisas, para poder ser livres
para Deus e, assim, ser livres para os irmãos.
Saciar-nos de Deus. O primeiro sentido de nossa pobreza é: não nos
saciar com as coisas deste mundo, sim saciar-nos de Deus, ser livres
para Deus, não obstaculizar a passagem de Deus por nossa vida, e
pelo mundo. Porque nossa riqueza é Deus e seu Reino e por isso não
necessitamos outras riquezas. “Bem aventurados os pobres porque
deles é o Reino de Deus” (Lc. 6,
20).
Ser pobre é, por isso, ser livre do próprio eu. É ser livre de todas
as correntes ou barreiras que impõem meu egoísmo. O pobre é o homem
capaz de amar. Porque em seu coração há espaço para Deus e para os
demais. Por isso temos que romper essas barreiras que nos impedem
sair de nós mesmos, de nosso mundo estreito. Santidade é
desprender-se de si mesmo. Temos que romper essas barreiras, para
poder abrir-nos ao mundo que nos rodeia e para nos entregar a Deus e
aos irmãos.
Graus de pobreza. Existem três graus de pobreza e podemos saber
facilmente aonde nos encontramos e que passos nos fazem falta dar
para chegar à altura deste Conselho evangélico.
1. Saber renunciar ao supérfluo. Por um amor simples e autêntico ao
Deus, renunciar voluntariamente as coisas supérfluas. O supérfluo
entende-se como aquilo que não corresponde a meu estado de vida ou
meu nível social.
Que coisas são supérfluas para mim? Ninguém me responderá a esta
pergunta. Só eu mesmo poderei dar a resposta.
2. Saber renunciar ao necessário. Não se trata do necessário para a
existência, mas sim do que eu creio necessário segundo meu estado de
vida e meu nível social.
Somos capazes de renunciar as coisas necessárias nesse sentido? E
também aqui, essa atitude tem que partir de um autêntico amor a Deus
e aos demais.
3. Conquistar uma atitude de mendigo ante Deus. Sou consciente de
minha total dependência de Deus. Aplicado à pobreza significa:
Minhas cosias e meus bens são propriedade de Deus; Ele me os há
emprestado. Sou simplesmente seu administrador.
Então Ele os pode tirar outra vez. Esta atitude de mendigo é o grau
mais alto de pobreza: liberdade interior frente a todas as coisas
materiais. Deus pode fazer comigo o que Ele quiser. E eu quero ser
tratado como mendigo.
Perguntas para a reflexão
1. Como vivo o Conselho Evangélico da pobreza?
2. Que ação concreta realizo pelos demais?
3. Angustia-me perder alguns bens materiais?
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