A Santa Missão de Nossa Senhora em prol da Família

Padre Nicolas

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Diálogo ou Desentendimento Conjugal?
Como está nosso diálogo, o momento decisivo da comunhão conjugal? A falta de diálogo é a pior enfermidade do matrimônio, uma enfermidade que o carcome por dentro. Por isso, periodicamente deveríamos revisar nosso sistema de diálogo: quando dialogamos? Por que não dialogamos?

Aqui podemos recordar que existe uma diferencia entre homem e mulher: as mulheres têm uma necessidade e uma capacidade de diálogo muito maior que a do homem. Ademais giram permanentemente em torno às pessoas, enquanto que os homens geralmente se interessam mais pelas coisas. Por isso, ao homem lhe custa mais dar-se, entregar-se a si mesmo, dialogar. Por outro lado, a mulher cai facilmente em sua riqueza afetiva, pode tornar-se susceptível e rancorosa.

O auge do diálogo é a união conjugal. Deveria culminar o diálogo que já em palavras não pode expressar-se. É talvez a experiência humana mais parecida à comunhão e a que mais lhes pode ajudar a prolongar ou preparar bem a comunhão eucarística. Daí a importância de realizar esse ato com o espírito em que Cristo se nos dá: com a generosidade, o respeito, a abertura para a vida, com a consciência de que é algo santo.

A comunhão é comunhão de fidelidade. É necessário rever, como anda nossa fidelidade. Cristo não se nos dá uma única vez, mas Ele está sempre, todos os dias oferecendo-nos a mesma comunhão, e não se cansa apesar de nossos pecados. Nós, como andamos nessa fidelidade, em ter a mesa sempre preparada?

Tudo isto ajuda a prolongar e preparar a comunhão com Cristo na missa. Uma autêntica comunhão conjugal é um dos melhores caminhos para a Eucaristia.

Que é o núcleo, o essencial em nossa Aliança matrimonial? É o dom do coração, o dom do íntimo de cada um. Os cônjuges hão de abrir seus corações e dar-se mutuamente sua intimidade, sua profundidade. É fácil dar coisas, mas é difícil dar-se, regalar o interior, a intimidade. Por isso, nos custa o diálogo conjugal.

E não sei quantos matrimônios conseguem realizar realmente bons diálogos profundos que não terminem em discussão ou briga.

Algumas dificuldades. Aí está sentada a senhora suspirando com os problemas inventados da telenovela. Em compensação não tem tempo para escutar os problemas reais do marido. E vice-versa.

É difícil encontrar o tempo e, principalmente, encontrá-lo no momento em que o outro me necessita. Só é possível se estou disposto a renunciar a certas coisas, a deixar certas coisas quando vejo que o outro busca meu apoio e minha compreensão.

O homem, geralmente menos pessoal e menos comunicativo por natureza, prefere seu trabalho por encima de tudo. Quando chega a casa a noite, busca a tranquilidade total e se considera em estado de completo relaxamento. Tem, por isso, a tendência a deixar a um segundo plano todos os problemas do lar. Considera que o exercício de sua profissão já lhe há brindado sua correspondente porcentagem de preocupações e responsabilidades do lar. O silêncio é seu refúgio.

Outro fator psicológico: o medo de dar o braço a torcer. Ao fim de um intercâmbio efetivo, existe muitas vezes certo número de verdades que é necessário serem reconhecidas, certos feitos dos quais não se possam esquivar, certas concessões que terá que fazer. Entretanto, o orgulho de ambos os cônjuges lhes sugerirá, com frequência, que mais vale fugir do diálogo, porque este poderia conduzir a estas concessões desagradáveis. Comunicar-se com o outro é outorga-lhe certo domínio sobre si. E por temor a ser sutilmente dominado, prefere uma atitude de não abertura para proteger-se.

Perguntas para a reflexão

1. Quais são os obstáculos para um melhor diálogo?
2. Sou daqueles que fogem do diálogo?
3. Dialogamos ou brigamos?

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