A Santa Missão de Nossa Senhora em prol da Família

 
Padre Nicolas

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A Traição de Judas
“Em verdade vos digo: um de vós me há de trair.” Com profunda aflição, cada um começou a perguntar: “Sou eu, Senhor?” Respondeu ele: “Aquele que pôs comigo a mão no prato, esse me trairá. O Filho do homem vai como dele está escrito. Mas ai daquele homem por quem o Filho do homem é traído! Seria melhor para esse homem que jamais tivesse nascido!” Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: “Mestre, serei eu?” – “Sim”, disse Jesus. (Mt. 26, 21-25)

A traição de Judas Iscariotes nos parece uma ação totalmente repugnante. E nos custa entender o mistério desse homem. Que motivos tinha para trair o seu Mestre?

Foi eleito, um dia, por Jesus para formar parte do círculo mais íntimo de seus amigos. O acompanhou durante sua vida pública. Escutou seus ensinamentos. Viu seus inumeráveis milagres. E, entretanto o entrega por trinta moedas. O que haverá passado a esse homem para chegar a tal extremo?

Não se sabe com certeza quais foram os motivos de sua traição. Alguns pensam que foi por cobiça. Segundo o evangelho de São João, ele estava encarregado da bolsa comum e os demais apóstolos suspeitavam que fosse um ladrão. Mas, por outro lado, trinta moedas era muito pouco dinheiro naquele tempo. Sabemos também que Judas, quando soube que Jesus foi condenado, encheu-se de remorso e devolveu as trinta moedas aos sumos sacerdotes.

Outros pensam que Judas sentiu-se desapontado por seu Mestre: Jesus não era o que ele esperava. Ele esperava a libertação de seu povo da opressão dos romanos, esperava um Messias político. Os outros apóstolos tinham também ambições humanas, mas em contato com Jesus, conseguiram purificar sua fé. Judas não logrou isso e a traição foi sua maneira de vingar-se.

De qualquer modo, é muito difícil penetrar no mistério desse homem e de sua ação: mistério da debilidade e da maldade humana.

Em contrapartida, temos que ver a atitude de Jesus frente a Judas. Mais de um ano antes do ocorrido, o Senhor adverte a Judas: “Não vos escolhi eu todos os doze? Contudo, um de vós é um demônio!...” (Jo. 6, 70).

Depois, quando se aproxima o momento, um ato de profunda humilhação frente aquele que está a ponto de traí-lo: “Levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e, pegando duma toalha, cingiu-se com ela. Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido.” (Jo. 13, 4-5) Sabemos que Judas estava entre eles.

Em seguida uma segunda advertência diante dos doze: “Em verdade vos digo: um de vós me há de trair!...” “O Filho do homem vai como dele está escrito. Mas ai daquele homem por quem o Filho do homem é traído! Seria melhor para esse homem que jamais tivesse nascido!” E quando Judas lhe pergunta, se está falando dele, Jesus o confirma.

E, finalmente quando Judas realiza sua traição com um beijo, o Senhor lhe pergunta: “É, então, para isso que vens aqui?” “Judas, com um beijo trais o Filho do homem!” (Mt 26, 50; Lc 22, 48). Até o final, Jesus o considera amigo...

Por um lado, Jesus - por todos os meios- trata de salvar a Judas, de detê-lo a tempo. Por outro lado, quer aceitar e cumprir a vontade do Pai em tudo.

Queridos irmãos, e nós? Temos motivos para indignar-nos contra Judas, motivos para condená-lo?
Perguntas para a reflexão

1. Quantas vezes havemos traído ao Senhor?
2. Quantas vezes lhe havemos sido infiéis, o havemos deixado só, havemos preferido outros interesses aos seus?
3. Quantas vezes havemos traído a Jesus em um de nossos irmãos, amigos, companheiros?

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