A Intermediação de Maria Mãe de Deus, e nossa, para nos levar ao Cordeiro de Deus

 
Padre Nicolas

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A realidade dos limites em nossa vida
Geralmente consideramos os limites como obstáculos no caminho da vida. O segredo consiste em utilizar os limites pessoais como caminho e ajuda rumo ao “espírito de filhos“. Nossas dificuldades e problemas devem ser uma porta de entrada para a graça, uma escada para o coração de Deus.

Podemos distinguir limites de tipo:

Físico: ser gordo ou magro, feio ou careca; defeitos físicos, doenças, problemas nervosos...
Psíquico-espiritual: incapacidades intelectuais, não saber falar, depressões, transtornos psíquicos, fracassos na profissão ou na educação dos filhos, etc.

Social: minha família (pobre ou rica), meus problemas econômicos, minha profissão, meu povo, minha raça...
Ascético-moral: debilidades, vícios, faltas de determinação, mesquinhez, antipatias, egoísmo, falta de caráter e de temperamento, fracasso no cumprimento dos propósitos... até culpas e pecados.

O Padre Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, nos dá quatro pautas para nosso comportamento ao respeito.

1. Não admirar-se. Devemos admirar-nos mais de que não seja pior. Aceitando o pecado original que feriu nossa alma, principalmente sua harmonia, não nos deve admirar que as coisas sejam assim. O pecado original é, ademais, fonte de muitos pecados pessoais que influenciaram em nós (herança, ambiente, educadores...). A isso se agregam nossos próprios pecados que aprofundaram o hábito do pecado.

2. Não confundir-se (não inquietar-se, não sufocar-se).
Espontaneamente, ao nos sentir tão miseráveis, poderemos chegar a ficar nervosos, a nos inquietar, a ser tomados pelo pânico. Ao homem comum se torna insuportável aguentar as experiências de pobreza moral. Gostaria de ser diferente.

Então acontece a fuga de sua própria natureza, a nega, muda de ideais... Procede como alguém que é jogado a água sem saber nadar: dá golpes irracionais e se afoga ao final por haver perdido a serenidade.

3. Não desanimar-se. O desânimo seria um passo mais. Este desalento que se expressa em tristeza e em depressão, é um inimigo muito perigoso. Aclara o Padre Kentenich que “é muito mais fatal que o pecado grave em si”. Porque predispõe ir mais fundo ainda, para cometer outros pecados novos. A pessoa se entrega, já não espera mais nada de si mesmo. Agrega: “Em águas turvas passeia o maligno”.

Por isso é tão importante criar em nós e a nosso redor um clima de alegria. A educação filial é educação para a alegria: “nada deve perturbar nossa alegria interior”!

4. Não acomodar-se. Não habituar-se, não acostumar-se à miséria e ao pecado. Não perder o sentido da responsabilidade, não resignar-se. Devemos lutar contra nossas faltas e defeitos. Pelo menos havemos de despertar o impulso de trabalhar contra, mesmo que nem sempre de resultado. Os santos são santos porque começaram inúmeras vezes de novo. Consideremos até o fim da vida com caídas e misérias. Por isso devemos considerar também até o final com muitas lutas.

Lograremos um realismo grande que nos dará paciência frente a nós mesmos, que nasce da limitação que experimentamos e que estamos combatendo permanentemente, esperando poder superá-la algum dia.

Perguntas para a reflexão

1. Sou consciente de meus limites?
2. Estou acostumado a alguns pecados?
3. O desânimo é uma característica em mim?

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