A Intermediação de Maria Mãe de Deus, e nossa, para nos levar ao Cordeiro de Deus

 
Padre Nicolas

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Algumas virtudes familiares
Ao iniciar o ano, talvez fosse bom cultivar algumas atitudes, por exemplo:

Delicadeza (ou tato). É o fino instinto, o tato acertado para saber o que pede o amor em cada momento. O homem que possui esta virtude não passa pelo mundo como orgulhoso, fechado em si mesmo sem preocupar-se dos interesses dos demais.

O homem delicado procura sempre fazer tudo bem feito. Por isso, sua conduta aparece tão clara e leal. Sabe quando deve calar, e quando deve dizer ou fazer algo.

São Francisco de Sales, um grande amigo dessas pequenas virtudes, explica acertadamente: “um silencio discreto é sempre melhor que uma verdade sem amor”.

Essa delicadeza pressupõe luta incessante contra a superficialidade, a vaidade e o egoísmo. Ao contrário, a conduta de uma pessoa com pouco tato costuma ser como a de um elefante que entra numa loja de porcelanas.

Exemplo esclarecedor dessa delicadeza fraternal é a Virgem nas bodas de Caná (Jo.. 2,1ss.). Ali, inclusive, ela adianta-se as necessidades dos noivos, para evitar o incômodo e a humilhação de ter que pedir ajuda. Esse “cuidado em prever as necessidades dos demais” forma parte da delicadeza fraternal.

Outra forma de delicadeza é saber escutar com atenção a todos, também aos enfadonhos, sem dar mostras de tédio ou impaciência.

Outras vezes essa atitude se manifesta em saber instruir ou ensinar aos ignorantes, sem envergonhá-los ou humilha-los. Temos essa delicadeza, esse tato em nosso trato com os demais?

Respeito. Trata-se do “respeito frente à originalidade alheia”, fundamento de nossa convivência. Temos que nos render frente ao fato de que somos um mistério um para o outro. E para respeitar o irmão, devo descobri-lo e admirá-lo em sua profunda originalidade.

Respeito significa também: deixar ao próximo a liberdade de pensar e atuar como a ele lhe pareça bem. O ideal de nossas comunidades é chegar a ser um só coração e uma só alma, mas sem que cada irmão perca sua originalidade.

Esse respeito a liberdade é importante não só em relação com o irmão, mas também em relação com os outros grupos: cada grupo é autônomo, tem direito a sua vida, suas formas e seu estilo próprios.

Moderação. A moderação é o termo médio das coisas, o autodomínio em qualquer circunstância, não deixar-se levar por excessos, mas acertar com equilíbrio no complicado labirinto da vida. Somos homens de extremos: ou tudo ou nada; entusiasmo ou desespero; triunfo ou fracasso. Vamos pela vida levando tombos de um lado a outro, tornando difícil o avanço sereno e tranquilo. Sempre haverá oscilações, mas elas hão de ser moderadas, controladas e integradas no ritmo da vida para poder chegar a bom porto.

Equilíbrio. Os altos e baixos da vida são o que nos impedem ver mais claro. Agitam o horizonte e turvam a mirada. O mais importante na vida é ver claro nas encruzilhadas, para poder seguir o caminho com acerto. E não é fácil ver claro na confusão que nos rodeia e com os assaltos de instintos e sentimentos que nos apertam por dentro. Falha o equilíbrio, a certeza, a mirada independente. Facilmente toma-se uma decisão equivocada, escolhe-se a pior opção, equivoca-se o caminho. Para ver claro e escolher melhor há que recuperar a serenidade e voltar ao termo médio.

Perguntas para a reflexão

1. Como posso praticar a moderação?
2. Somos respeitosos com cada irmão mesmo que nos conheçamos muito bem?
3. Deixamos ao próximo a liberdade em pensar e atuar?

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