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A
Intermediação de Maria Mãe de Deus, e nossa, para nos levar ao
Cordeiro de Deus |
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Algumas virtudes familiares |
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Ao iniciar o ano,
talvez fosse bom cultivar algumas atitudes, por exemplo:
Delicadeza (ou tato). É o fino instinto, o tato acertado para saber
o que pede o amor em cada momento. O homem que possui esta virtude
não passa pelo mundo como orgulhoso, fechado em si mesmo sem
preocupar-se dos interesses dos demais.
O homem delicado procura sempre fazer tudo bem feito. Por isso, sua
conduta aparece tão clara e leal. Sabe quando deve calar, e quando
deve dizer ou fazer algo.
São Francisco de Sales, um grande amigo dessas pequenas virtudes,
explica acertadamente: “um silencio discreto
é sempre melhor que uma verdade sem amor”.
Essa delicadeza pressupõe luta incessante contra a superficialidade,
a vaidade e o egoísmo. Ao contrário, a conduta de uma pessoa com
pouco tato costuma ser como a de um elefante que entra numa loja de
porcelanas.
Exemplo esclarecedor dessa delicadeza fraternal é a Virgem nas bodas
de Caná (Jo.. 2,1ss.). Ali, inclusive, ela
adianta-se as necessidades dos noivos, para evitar o incômodo e a
humilhação de ter que pedir ajuda. Esse “cuidado em prever as
necessidades dos demais” forma parte da delicadeza fraternal.
Outra forma de delicadeza é saber escutar com atenção a todos,
também aos enfadonhos, sem dar mostras de tédio ou impaciência.
Outras vezes essa atitude se manifesta em saber instruir ou ensinar
aos ignorantes, sem envergonhá-los ou humilha-los. Temos essa
delicadeza, esse tato em nosso trato com os demais?
Respeito. Trata-se do “respeito frente à originalidade alheia”,
fundamento de nossa convivência. Temos que nos render frente ao fato
de que somos um mistério um para o outro. E para respeitar o irmão,
devo descobri-lo e admirá-lo em sua profunda originalidade.
Respeito significa também: deixar ao próximo a liberdade de pensar e
atuar como a ele lhe pareça bem. O ideal de nossas comunidades é
chegar a ser um só coração e uma só alma, mas sem que cada irmão
perca sua originalidade.
Esse respeito a liberdade é importante não só em relação com o
irmão, mas também em relação com os outros grupos: cada grupo é
autônomo, tem direito a sua vida, suas formas e seu estilo próprios.
Moderação. A moderação é o termo médio das coisas, o autodomínio em
qualquer circunstância, não deixar-se levar por excessos, mas
acertar com equilíbrio no complicado labirinto da vida. Somos homens
de extremos: ou tudo ou nada; entusiasmo ou desespero; triunfo ou
fracasso. Vamos pela vida levando tombos de um lado a outro,
tornando difícil o avanço sereno e tranquilo. Sempre haverá
oscilações, mas elas hão de ser moderadas, controladas e integradas
no ritmo da vida para poder chegar a bom porto.
Equilíbrio. Os altos e baixos da vida são o que nos impedem ver mais
claro. Agitam o horizonte e turvam a mirada. O mais importante na
vida é ver claro nas encruzilhadas, para poder seguir o caminho com
acerto. E não é fácil ver claro na confusão que nos rodeia e com os
assaltos de instintos e sentimentos que nos apertam por dentro.
Falha o equilíbrio, a certeza, a mirada independente. Facilmente
toma-se uma decisão equivocada, escolhe-se a pior opção, equivoca-se
o caminho. Para ver claro e escolher melhor há que recuperar a
serenidade e voltar ao termo médio.
Perguntas para a reflexão
1. Como posso praticar a moderação?
2. Somos respeitosos com cada irmão mesmo que nos conheçamos muito
bem?
3. Deixamos ao próximo a liberdade em pensar e atuar?
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